O sistema educacional alemão difere muito do
brasileiro. Como os governos estaduais têm autonomia sobre seu
sistema de ensino, as características podem variar de estado para
estado.
Normalmente, as crianças começam a frequentar o
jardim-de-infância (Kindergarten) a partir dos 3 anos
de idade. A obrigatoriedade escolar existe a partir dos 6 anos
até a 9ª ou 10ª série, dependendo do estado, e no máximo até os
18 anos.
Os jardins de infância são mantidos por
igrejas, iniciativas particulares ou pela municipalidade. A
mensalidade é calculada conforme os rendimentos da família,
independente de o estabelecimento ser público ou privado. Durante
seu último ano no jardim de infância, a criança "pré-escolar"
(Vorschulkind) toma contato com letras e números, o que no
entanto não pode ser considerado alfabetização como o
pré-primário que conhecemos do Brasil.
O ensino público na Alemanha é gratuito a
partir da primeira série; paga-se apenas parte dos livros. Um
semestre antes de entrar para a escola, a criança é submetida
a um teste médico. Se forem verificados problemas no desenvolvimento
psicológico, motor ou linguístico, ela é encaminhada para
possíveis correções. O primeiro dia na escola obedece a todo
um ritual, do qual participa a família inteira.
Menina com sua Schultüte após o primeiro dia de
escola
A forte presença da Igreja na sociedade alemã é
sentida nestes momentos. Em muitas escolas, antes da distribuição
em classes e o primeiro contato com o professor, realiza-se um
culto ecumênico na paróquia mais próxima. Outra peculiaridade é a
Schultüte (cone colorido, oferecido às crianças no
primeiro dia de aula), cheia de presentes e doces.
O curso primário tem a duração de quatro anos;
apenas alguns estados estenderam essa etapa para seis anos.
Escolas secundárias
Ao encerrar o primário, a criança começa a
ter definida a sua orientação profissional. Conforme o desempenho
dela nos primeiros quatro anos de escola, a professora sugere aos
pais o tipo mais apropriado de escola secundária. Há três opções:
─ Hauptschule, em que os alunos
recebem uma formação geral básica. Após a conclusão,
encaminham-se geralmente para uma formação profissionalizante que
os habilita a exercer um ofício ou uma atividade na indústria ou na
agricultura. Dura de cinco a seis anos.
─ Realschule, que habilita a frequentar
cursos mais adiantados em escolas profissionalizantes, escolas
secundárias vocacionais ou o segundo ciclo do ginásio. Dura seis
anos.
─ Gymnasium, que dura oito ou nove
anos, conforme o estado federado, e propicia uma formação
básica mais aprofundada. O certificado de conclusão, o cobiçado
Abitur (de importância semelhante à do vestibular
brasileiro), habilita para o acesso a uma universidade ou escola
superior.
Até um certo ponto, o sistema é permeável.
Conforme o desempenho do aluno nos dois primeiros anos na escola secundária (5ª e 6ª séries),
existe a possibilidade de se transferir para uma escola de tipo
diferente da escolhida originalmente.
Existe ainda a Gesamtschule, que integra
os três tipos numa só, bem como escolas com outros tipos
de currículo, dependendo do estado.
Escola em tempo integral
A adoção deste tipo de estabelecimento vem sendo
cada vez mais defendida na Alemanha. Em outros países europeus, é
comum a criança ou o adolescente passar o dia inteiro na
escola, sendo assistido nas tarefas de casa e podendo participar de
atividades extraclasse, como esporte e artes.
Na Alemanha, as aulas são dadas no período da
manhã, terminando o mais tardar em torno das 14 horas. Alguns
jardins de infância prestam assistência depois desse período
(almoço e acompanhamento dos deveres de casa) também a crianças em
idade escolar, no chamado Hort.
Escolas especiais
Crianças e adolescentes portadores de
necessidades especiais frequentam escolas especiais, das quais
existem diferentes tipos de acordo com a deficiência. Para esses
alunos vale igualmente a obrigatoriedade escolar.
Escolas profissionalizantes
Estas escolas (Berufsschulen) fazem parte
do sistema dual de formação profissionalizante, que habilita o
jovem ao exercício de uma profissão ou oficio oficialmente
reconhecido. A formação teórica se dá na escola (um a dois
dias por semana), enquanto o aprendizado prático é feito numa
empresa nos outros dias, diretamente num posto de trabalho ou
oficina.
Encaminham-se a uma formação
profissionalizante, que dura de dois a três anos e meio e é
remunerada, sobretudo jovens vindos da Hauptschule ou da
Realschule. De uns tempos para cá, também muitos aprovados no
Abitur decidem-se por uma qualificação deste tipo.
Ensino superior
A longa tradição acadêmica na Alemanha foi
iniciada com as primeiras fundações, no século 14. Através da
reforma no ensino superior feita por Wilhelm von Humboldt
(1767–1835), foi estabelecida a união da pesquisa e do ensino nas
universidades alemãs.
Após uma reforma na década de 1970, o
estudante passou a ter maior liberdade na escolha das disciplinas. Há
vários tipos de instituições de ensino superior, mas a maioria das
universidades alemãs pode ser enquadrada entre as seguintes:
– Universitäten e Technische
Universitäten: São as universidades tradicionais e
as técnicas, com cursos voltados para teoria e pesquisa, com a
titulação de Magister (para as Ciências Humanas e
Sociais), Diplom (para as Ciências Exatas e Naturais) ou
Staatsexamen (para as áreas de Direito e Medicina) e
possibilidade de doutorado. Oferecem, também, cursos para a formação
de professores do ensino primário e médio. A graduação na
Alemanha é mais abrangente e longa do que no Brasil. Desde o
início do século 21, a Alemanha participa do chamado Processo de
Bolonha, que tem por meta a equiparação dos currículos e dos
títulos de Bachelor e Master, bem como do
doutorado nas universiddes e escolas superiores dos países
envolvidos.
– Fachhochschulen: São as
escolas superiores de tecnologia ou universidades de
ciências aplicadas, com cursos mais curtos e voltados para a
prática, com a obrigatoriedade de um estágio durante o curso e sem
possibilidade de doutorado.
Volkshochschulen
Há ainda os centros para a educação de adultos
(Volkshochschulen), dedicados exclusivamente ao
aperfeiçoamento, não só profissional. Sua oferta é muito ampla e
direcionada sobretudo para o aperfeiçoamento geral, seja em
culinária ou em idiomas, mas também, em escala cada vez maior, para
a melhoria das qualificações profissionais.
O texto foi levemente alterado do original e revisado por Haidi Scheibe em agosto de 2012.